“Sonho conhecer o time do Corinthians” – Wagner, 16 anos, Rabdomiossarcoma

Categoria: 2013, Sonho Conhecer

Ficamos sabendo do sonho do Wagner (rush wish) na terça-feira, antes de ontem e hoje pela manhã fomos informados que iria acontecer !!! O sonho? Nosso guerreiro queria conhecer o mestre Tite e seus meninos. Respirei fundo e liguei para a mãe do Wagner. No que dei a notícia ela só disse, “Jura?” e despencou a chorar. Me segurei para não cair no choro junto. Conversar com uma mãe que está com seu filho internado, com uma doença grave em estágio avançado, sem possibilidade de cura, é uma tarefa árdua. Uma mãe nunca deveria ter que se despedir de um filho. Respirei fundo, respirei de novo… E pedi ajuda às fadas, que me socorreram e, com isso consegui acolher Dona Velma, e passar as orientações para o sonho que estava chegando. Aí foi um corre-corre para buscar câmera fotográfica, carregador de celular, separar bonés, camisetas, mandar os nomes dos participantes junto com os RGs para a assessoria do Corinthians, anotar endereço, voar para a feira e engolir o pastel do almoço, para chegar às 13h no Itaci. Acabamos saindo com trinta minutos de atraso, mas ahhh… São Judas já havia abraçado este sonho, não tinha mais erro. Entrando no taxi vi um chaveiro do Corinthians, mostrei para o Wagner e ele abriu outro sorriso. A cada sorriso deste jovem guerreiro meu coração se enchia mais e mais de uma emoção sem tamanho. No caminho ele deu umas cochiladas. Porque embora estivesse mega animado, era inegável o quanto a doença o deixava abatido. Sua respiração era profunda, mesmo com o auxílio do oxigênio. Quase chegando ao CT do Corinthians, passamos pelo da Portuguesa e perguntei se ele queria ficar lá. E essa pergunta ele nem se deu ao trabalho de responder, só olhou para mim de canto de olho com uma risadinha. E quando o CT do Corinthians foi chegando ele ficou ainda mais quietinho. Só dava seus olhinhos arregalados! Renata foi muito querida ao nos recepcionar, nos acomodou na sala de visitantes e disse que os jogadores iriam até lá antes de começar o treino, para dar um alô ao Wagner. Acomodamos nosso guerreiro, perguntei se ele estava preparado, no que ele mal teve tempo de responder, “Ô!!!”, quando viu o Alessandro, “Olha, é o Alessandro” O Alessandro deu a mão para ele, perguntou como ele estava e foi logo dando a camisa oficial junto com uma caneta, para ele pegar autógrafo de toda a moçada. Os olhinhos o Wagner se encheram de uma vida enorme, e pudemos ver todo seu sorriso, mesmo embaixo da máscara. Vou dizer que cada vez mais embarcava no sonho junto com ele. Quando Alessandro se despediu e saiu ele disse, “Nossa, achei que ele fosse mais alto, na TV parece que ele é gigante”, caímos na risada e disse, “Calma que logo mais o Cássio Monstro chega”. E daí veio Paulinho, Pato, Cássio e Júlio Cesar com os outros goleiros, que formaram uma muralha da China atrás do Wagner. Todos de um carinho impressionante. Cumprimentaram, brincaram, deram autógrafos, fizeram várias poses para as fotos. Uns queridos! A cada jogador que chegava Wagner se enchia de alegria, era autógrafo na camisa, no pôster do Paulistão e pose com o dedo em positivo para a foto! E os meninos não paravam de chegar, William, Guilherme, Guerreiro, Danilo, Chicão, Felipe, Paulo André, Romarinho… Dava gosto de ver a carinha de felicidade a cada jogador que chegava, falava com ele, fazia uma brincadeira, autografava a camisa e o pôster. Era o sonho virando realidade. Ou talvez a realidade virando sonho… Neste momento Dra. Thaís havia me sinalizado que o tubo de oxigênio da vinda estava no final, e o que o segundo deveria ser utilizado em sua totalidade para a volta, no caso de pegarmos muito trânsito, seria nossa garantia. Mas cadê o Tite? Nosso jovem não podia ir embora sem conhecer o mestre. Liguei para a Renata para explicar a situação e ela me confortou dizendo que o Tite vinha sim, que havia até separado uma lembrancinha para o Wagner. E como em sonho tudo é mágico, quem é que vem em nossa direção, com mais uma porção de jogadores? Affff que se meu coração estava disparado, imaginem o do Wagner. “E aí Wagner, tá preparado?”, “Muito!!”, e se abriu em sorriso!! Nisso chegou o grande mestre, já colocou um boné do Timão na cabeça do Wagner, deu a mão a ele, cumprimentou, e carinhosamente colocou uma pulseirinha em seu pulso. Fizeram poses para as fotos, e todas as fadas viraram fotógrafas, junto com a mais nova fada Ana Laura Lupeti, que estava lá para entrevistar o Paulinho, e se encantou com nosso trabalho. Virou Fada né? Tem como não? Wagner já não sabia mais nem para onde olhar, de tanta gente tirando foto. Mas o Tite que já nem deve ligar muito para os flashs, continuou o papo com Wagnão, “Mas e aí, quem você quer que eu tire pra te por em campo?”, no que Wagner respondeu, “Imagine, nossa, não pode tirar ninguém não, estão todos muito bem!”, “Um só, um só não vai fazer falta, aproveita que tem uns que estão indo embora mesmo…”, “Tá bom, então me coloca no lugar de um desses que vai embora, mas me deixa no banco!”. Ahhhhh, a humildade dos guerreiros… Eu achando que o sonho estava chegando ao fim, quando chegou o Sheik e foi logo dando um abraço apertado e demorado no Wagner, e aí foi difícil segurar o choro. Quanto carinho! Sheik se afastou para falar com ele e não resistindo, voltou e deu outro abraço forte e demorado. A sala ficou em silêncio. Mas Sheik brincalhão já começa a cantar um “Ahhhh Lelek, Leke, Leke, Leke…”, dançando e fazendo graça com o Wagner. Perguntou onde estava a camisa que queria autografar, fez pose para as fotos, brincou um pouco mais, deu outro abraço no Wagner, desejou melhoras e se despediu. Affff, guenta coração!!! Eu e Dra. Thaís trocamos mais um olhar de, “agora temos que partir”, e foi assim que nos espedimos dos gramados do CT do Todo Poderoso Timão. Já dentro do carro, olhei para trás e perguntei para Wagner de qual jogador ele tinha gostado mais. Advinha a resposta? Do Tite. Isso mesmo, Wagnão era mesmo um grande fã do Tite. Pedi para ele mostrar o presente que havia ganhado. Era uma pulseira, com uma medalhinha de Nossa Senhora Aparecida No meio do trânsito, o taxista lembrou do chaveiro e me perguntou se o Wagner não queria ficar com ele. Fui logo tirando do restante do molho de chaves e dei ao Wagner. Ele agradeceu, colocou a argola no dedo indicador, e foi cochilando o restante do caminho – quem sabe sonhando com o que aconteceu, até a chegada ao Hospital.